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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Saraiva entra prá valer na briga digital dos ebooks

Saraiva, uma das maiores empresas brasileiras no setor editorial e varejo, está lançando o seu eBook Reader chamado  “Lev”.  Trata-se de uma iniciativa que fortalece muito o posicionamento da empresa no efervescente mercado do livro digital. Com o Lev, a Saraiva abre um canal direto com seu leitor consumidor e segue a mesma trilha das grandes empresas internacionais como a Amazon, com o Kindle, Barnes and Noble com o Nook, entre outras.

Nas primeiras utilizações o equipamento causou uma ótima impressão. Tela anti-reflexo com resolução  muito boa, consegui ler bem na luz do sol; touch screen; bem fino (0,9 cm) e muito leve (190g).  Em termos de tamanho é menor que um tablet, (16,6x12 cm), mas o tamanho da tela é suficiente para uma leitura agradável, além de ser fácil de transportar. 
     
Uma característica que chama a atenção é a usabilidade. Uma vez feito o cadastramento no sistema, baixar e ler os eBooks se torna uma  brincadeira de criança. E por falar nisso, parece incrível que um brinquedinho desses possa conter o equivalente a quatro mil livros.

Usar o equipamento me fez pensar que já estamos caminhando a passos bem largos em direção ao novo mundo dos livros digitais, que já comentei em artigo anterior.

O preço para o modelo básico, é R$ 299,00, exatamente o mesmo do Kindle, seu concorrente direto. O Lev pode ler arquivos em ePub que é o principal formato aberto e também o PDF, ainda utilizado em boa parte dos ebooks disponíveis no mercado.

Mas além dos aspectos técnicos, o grande fator positivo do lançamento do Lev  é o aumento do leque de opções por parte do leitor de ebooks. O próprio CEO do grupo Saraiva, Michel Levy, pontuou em sua apresentação que a estratégia de longo prazo da empresa esta focada no cliente e em oferecer a melhor experiência de leitura e compra. O que parece uma decisão inteligente na medida em que o mercado se expande e o leitor tem cadas vez mais opções de titulos e equipamentos de leitura.

A grande expectativa disso tudo é que a migração para os livros digitais ocasione um aumento no número de leitores e no hábito de leitura, principalmente entre os jovens já familiarizados com a Internet. A tecnologia facilita imensamente o acesso ao conteúdo e o custo de obtenção de um livro no formato digital é cada vez menor.

Fonte: Dailton Felipini é mestre e graduado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. Consultor, especialista em ecommerce e produtos digitais e autor de cinco livros sobre e-commerce. Editor do site www.e-commerce.org.br.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Os eBooks e o Custo Brasil

Quem costuma viajar para o exterior sempre é lembrado do custo Brasil ao confrontar os preços cobrados por qualquer tipo de mercadoria aqui e lá fora.  Um exemplo claro disso é o do automóvel, que custa para o brasileiro cerca de 50% a mais do que para qualquer outro consumidor do planeta.  Para a maioria dos produtos, a principal causa do alto custo é a mão pesada do governo que taxa excessivamente tudo que se produz por aqui, o que acaba inflando os custos em toda a cadeia distributiva. No caso dos ebooks, os livros digitais que estão nascendo para o mercado em todo o mundo, isso não poderia ser diferente. 

As editoras se deparam em primeiro lugar com a necessidade de registrar um ISBN, um código numérico para cada livro, de forma a identificar os seus produtos. 

Para fazer isso, são obrigadas a contar com a boa vontade de um órgão chamado FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL, que funciona como uma espécie de cartório de registro das publicações realizadas no Brasil. O processo, além de arcaico e burocrático, é caro. É preciso imprimir o arquivo digital em papel e enviar para este órgão juntamente com o preenchimento de formulários. A taxa para esse órgão recolher essa papelada e guardar em algum canto que não tenha goteiras é de cerca de R$ 100 por título, ou seja, uma editora que possui mil títulos gasta R$ 100 mil somente para registrar seus ebooks.

Conversão de formato dos ebooks

Outra dificuldade é a mudança de formato dos ebooks. Atualmente o mercado editorial está caminhando para a utilização do ePub como padrão para a comercialização dos títulos na versão eletrônica, o que acaba tornando a conversão de arquivos, geralmente de PDF para ePub, praticamente uma necessidade. Esse trabalho é realizado por empresas que cobram cerca de 2 reais por página convertida. Assumindo um tamanho médio de 200 páginas por ebook e utilizando o exemplo da empresa que possui 1.000 títulos, o investimento necessário para a conversão será de (200 x 2 x 1.000) R$ 400,00 mil.  

Custo de distribuição

Para dificultar ainda mais, as empresas distribuidoras transferiram para o mundo digital a sua tradicional margem de ganho de 50% sobre o valor de capa, mesmo considerando que todo o processo de armazenamento e entrega será realizada de maneira eletrônica, com os ebooks armazenados em um servidor e acessados pelos compradores por meio da Internet. Então, um ebook cujo valor de capa seja R$ 10,00 gerará para a editora uma receita bruta de R$ 5,00.  Descontando-se os direitos dos autores entre 10% a 20%, e todos os custos fixos e variáveis da empresa, percebe-se que não vai ser muito fácil a vida dos editores no novo mundo digital. 

Equipamentos de leitura

Uma última barreira a ser superada pelo mercado de ebooks encontra-se nos equipamentos utilizados para leitura de ebooks. Atualmente são utilizados majoritariamente os ebooks readers, como o Kindle da Amazon, os tablets, como o Ipad, da Apple e, em menor escala, os smartphones, como o Galaxy da Samsung. Produtos eletrônicos, assim como qualquer outro, são pesadamente taxados no Brasil. Para se ter uma idéia, o Ipad4 -32 gb que pode ser comprado nos Estados Unidos por cerca de U$ 599 é comercializado por aqui,  pela bagatela de 2.199 reais, ou U$ 1.099, exatamente o dobro.  Considerando essa sobretaxa de 50% e o alto nível de renda dos brasileiros, é óbvio que as pessoas terão muito mais dificuldade para migrar para o mundo eletrônico. Azar dos leitores, azar dos editores, azar do Brasil, que poderia aproveitar a grande revolução da Internet para diminuir o abismo educacional, que existe entre nós e o restante dos países saudáveis do mundo.  
Será que esse pessoal que reside no planalto central, e gosta de construir estádios, em algum momento pensa nessa questão?  Sou otimista, mas não tanto.

Fonte: Dailton Felipini é mestre e graduado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. Consultor especialista em e-commerce, autor de cinco livros sobre ecommerce, editor do site www.e-commerce.org.br e da LeBooks: Livraria de eBooks.