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terça-feira, 19 de julho de 2011

Como montar uma estratégia de vendas nas redes sociais?

Com a popularização da internet no começo da década de 2000, parecia que a última fronteira para qualquer empresa seria a criação de uma loja on-line e o início de uma estratégia de e-commerce. Só que outro fenômeno surgiu e conquistou a atenção dos usuários: as mídias sociais. Ficou provado que, mais que um instrumento, a internet é uma comunidade. E que, para conquistá-la, é preciso usar as ferramentas certas. “O conceito de mídias sociais precede a própria internet”, diz Ludovino Lopes, vice-presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net). “Mas a web amplificou o seu significado, trazendo a possibilidade de interação e colaboração.”

Hoje, não basta apenas vender, é preciso vender socialmente, praticando o que ficou conhecido como social commerce. “Esse comércio é feito de usuário para usuário”, diz Thiago Nascimento, fundador do Bloompa, plataforma social de compras. “A venda é resultado dessa interação: a empresa entra apenas como estímulo.” Mídias como o Facebook e o Twitter funcionam não só para aumentar as vendas, mas também para cativar e fidelizar clientes. Segundo Lopes, o boom das redes levou muitos negócios a usarem esses canais de forma pragmática e fria, visando somente o incremento da receita. “É preciso ultrapassar essa primeira fase, agregar valor, passar um conteúdo de relevância. Essa é a mágica da mídia social. O discurso só de venda provoca uma resposta morna”, afirma.

Seja qual for o uso das redes, a verdade é que a relação mais humanizada com os usuários pode, sim, converter-se em retorno financeiro. Na opinião de Danilo Alvarenga, diretor técnico da empresa americana de soluções em e-commerce 3dcart, o uso sistemático do Twitter e do Facebook pode levar a um crescimento de até 34% no tráfego do site de vendas da empresa.

Mas não se engane com os números animadores: antes de colocar seu empreendimento nas mídias sociais, dedique algum tempo ao planejamento e à organização do conteúdo. “Quando se publica qualquer coisa nas redes sociais, a primeira impressão é a que fica. Então tenha certeza de que a casa está arrumada antes de abrir as portas”, afirma Alvarenga. Ou seja, pesquise quais mídias funcionam para seu negócio, conheça o público que você quer atingir e defina como vai interagir com ele. A seguir, boas ações de social commerce que podem ser postas em prática para aumentar as vendas. 

APOSTE NO VISUAL

YOUTUBE
Ter um perfil na rede de compartilhamento de vídeos pode ser útil se a empresa tiver capital para investir nesse tipo de produção. “Os vídeos têm grande impacto sobre os usuários e podem se tornar virais facilmente”, afirma Ludovino Lopes, vice-presidente da camara-e.net. Faz parte da estratégia deixar na descrição do vídeo um link que direcione o usuário ao produto anunciado, para estimular a finalização da compra. Os posts no Youtube também servem como apresentação para o consumidor conhecer o dia a dia da empresa, humanizando mais a relação entre os dois.

FLICKR
Essa rede de compartilhamento de fotos pode ser útil para provocar o interesse dos consumidores: o método mais utilizado é postar imagens de novos produtos. Propagada pelo Twitter, a estratégia de “teaser” pode alimentar a vontade de comprar até que o lançamento seja feito. Como o Youtube, também pode ser utilizado para mostrar a rotina da empresa, aproximando o consumidor.

Por: Rafael Farias Teixeira da Pequenas Empresas & Grandes Negócios

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Eles estão faturando com a moda on-line

Veja as estratégias de quatro empresas que aproveitam o bom momento da venda de roupas e acessórios pela internet.

Sapatos com quantidade e variedade
A tática da Dafiti para explorar o comércio eletrônico fashion foi dar um passo de cada vez. A empresa começou pelos calçados, em janeiro, e passou a vender roupas neste mês. “Optamos por essa estratégia porque a barreira de entrada no mercado de calçados é menor do que a do de roupas, além de ser mais simples montar um portfólio”, diz Phillip Povel, um dos sócios-fundadores. No primeiro semestre de vida, o site alcançou a marca de 200 mil visitantes únicos por dia. O trunfo para agradar às clientes foi o grande estoque, abrigado em um armazém em Jundiaí (SP). “Funciona porque temos variedade e quantidade para entregar rapidamente. Mas também é nosso maior risco”, afirma Povel. A empresa tem 170 funcionários, mas não revela quanto foi investido. “Nesse mercado, não dá para entrar de maneira pequena ou amadora, porque vamos competir com os grandes”, completa o sócio Thibaud Lecuyer.

Looks montados e compartilhados em rede
Na web, as mulheres não se divertem apenas comprando roupas. No site byMK, elas passam um bom tempo escolhendo peças virtuais para montar um look. Depois, contam tudo para as amigas, que trazem outras, e outras, até que a rede some 6.300 amigos no Facebook e 600 mil usuários únicos por mês. “Aproveitamos a expansão das redes sociais para fazer um site em que o usuário gere conteúdo, e não apenas o consuma”, define Flávio Pripas, 34 anos, sócio da byMK. O armário virtual para montar os looks já tem 2 milhões de peças, a maioria trazida pelas internautas. “Já somos o terceiro maior site do país em moda e estilo”, diz Pripas. A byMK faturou R$ 500 mil em 2010, e o site chegou a 15 milhões de page views por mês – cada visita dura, em média, 30 minutos. O modelo de negócio é baseado em publicidade, de onde vem a receita. “Essa interação é poderosa para gerar vendas. Agora estamos estudando como a experiência de criar pode se conectar à de comprar”, afirma Pripas.

Um canal que facilita a vida do lojista
O Superexclusivo arranjou um meio de fazer compradores e lojistas economizarem. É uma loja virtual que vende, com belos descontos, roupas de coleções que saíram de cena. “O segredo é facilitar a vida do lojista. Somos um canal de vendas a mais”, explica Antonio Pulchinelli, 41 anos, sócio-diretor do site. Quando a loja vai trocar a coleção, o Superexclusivo seleciona peças e produz fotos com modelos. As ofertas de cada loja ficam quatro dias no ar; fechados os pedidos, o site faz a entrega das peças e fica com uma margem de lucro sobre as peças vendidas. “O lojista poderia fazer isso, mas é complicado, por isso oferecemos esse pacote de logística.” No ar desde 2007, o site tem hoje 700 fornecedores, 32 funcionários e atende a 1.000 pedidos por dia, em média. Segundo Pulchinelli, vender pela internet requer investimento constante, especialmente em marketing. “Em quatro anos, vamos gastar R$ 2,5 milhões em marketing e na produção”, afirma.

Uma loja nova no ar a cada dia
De olho no excesso de estoque das marcas, o Brandsclub é outra vitrine virtual de peças que não venderam como o esperado, mas ficam bem atraentes com descontos. Uma equipe comercial com 40 pessoas analisa, em um leque com 700 fornecedores, o que sobrou nas lojas, seleciona as peças mais promissoras e ajusta o preço para oferecê-las com desconto pela internet. “Muitos nos procuram para montarmos uma loja on-line sem eles assumirem essa dor de cabeça”, comenta Paulo Humberg, 43 anos, fundador e presidente do conselho da empresa, que trabalha com 700 marcas. O público-alvo do site são mulheres que têm entre 20 e 40 anos. “O retorno, em visitas, é muito grande”, afirma Humberg. “Para isso, todo dia tenho que ter uma loja completamente nova no ar.” O Brandsclub, que começou em 2009, quer faturar de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões em 2012.

Por: Bruna Martins Fontes. Esta reportagem é um extra da matéria "A vez da moda on-line", publicada na edição impressa de Pequenas Empresas & Grandes Negócios (ed. 270 - julho/2011)